Bebê com ‘ossos de vidro’ morre aos 11 meses após parada cardíaca no AC; mãe alega negligência médica

Porém, no dia em que Gael ia receber alta, ele começou a apresentar um quadro de pneumonia, foi administrado antibiótico, mas o bebê não melhorou e acabou pegando também uma infecção.

Na quarta (15), Gael teve algumas paradas cardíacas, foi ressuscitado e levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Já na manhã de quinta [16] Francisca Vitória foi avisada de que o filho não tinha resistido e morreu.

“Começaram a tratar a pneumonia com um antibiótico que não estava fazendo efeito, passaram quatro dias dando um antibiótico que não resolvia e ele só piorava. Foi o tempo de a infecção tomar conta do corpo dele inteiro”, desabafou.

“Ali [ Hospital da Criança] é um descaso total, porque para fazer um curativo no PIC dele [pressão intracraniana] era de quatro em quatro dias, sendo que era para fazer de dois em dois dias. Ele estava bem quando nos internamos, até o cálcio dele estava bom, mesmo sem tomar o medicamento”, criticou.

G1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) e aguarda retorno.

Negligência

Para a mãe, houve negligência por parte da equipe que cuidou de Gael porque o quadro de saúde do filho foi se agravando quando ele estava no hospital. Ela diz que era para o filho ter recebido alta médica logo no terceiro dia, o que poderia evitado que ele ficasse doente e morresse.

Francisca afirmou ainda que o braço esquerdo do filho foi quebrado quando uma enfermeira foi retirar o sangue dele.

“A gente explicava como era para pegar, mas diziam: ‘A gente sabe, mãezinha’. Sabiam tanto que machucaram ele. Tiravam sangue dele todos os dias, ele parou de fazer xixi, ficou inchado e os médicos viam isso. Falaram que era por causa dos remédios, do soro, mas não. Era a infecção tomando conta dele. A médica da UTI falou que estava com uma infecção grave e não trataram direito”, lamentou.

Processo

Nesta sexta (17), Francisca disse que foi até o Hospital da Criança pedir o prontuário médico do filho. Ela vai pegar a documentação e pretende processar a unidade de saúde por negligência.

“Pedi o prontuário dele e deram sete dias para ficar pronto. Pretendo processar o hospital porque não aceito isso. Meu filho estava bem, só foi para tomar uma medicação e saiu morto. Só eu e minha família sabemos como está sendo doloroso, porque o Gael era uma criança que tinha vontade de viver, não tinha nada além dos problemas dos ossos”, acusou.

Ainda segundo a jovem, Gael completou 11 meses dentro do hospital e foi no mesmo dia em que teve a primeira parada cardíaca, na quarta (15). “Ele veio inesperadamente. Quando decidi ter ele queria que ele vivesse como eu. Me deram cinco anos de vida, hoje tenho 18. Queria muito que tivesse oportunidade, uma vida, mas aconteceu isso. Se tivessem cuidado melhor dele como merecia estaria vivo”, disse emocionada.

Francisca Vitória disse que sua mãe soube que ela nasceria com a doença ainda na gravidez. Os médicos informaram à mãe da menina que ela teria um problema de saúde, mas o diagnóstico da doença rara chamada de ossos de vidro, veio após o nascimento. A expectativa era de que a jovem chegasse somente até o quinto ano de vida.

Assim como a mãe, Francisca também soube que o filho teria ossos de vidro quando estava grávida.

  • G1

VEJA TAMBÉM

© Copyright 2000-2021 G Midia & Produções 2020/2021 CNPJ: 38.313.905/0001-94 Cruzeiro do Sul Acre

error: Protegido contra pirataria !!
Formulário de contato com Juruá Informativa