Agricultor é preso suspeito de abusar e engravidar sobrinha de 12 anos no interior do Acre

Após saber da gravidez, a polícia pediu ao Judiciário a prisão do agricultor e, na manhã dessa sexta-feira (24), ele foi preso enquanto trabalhava em uma oficina da cidade.

A Polícia Civil soube do caso em dezembro de 2020, quando foi informada pelo Conselho Tutelar do município que recebeu uma denúncia anônima. O agricultor e a sobrinha moravam próximos da Gleba São José, km 20, entre as cidades de Manoel Urbano e Sena Madureira.

Na época, o tio foi intimado e ouvido na delegacia da cidade. Ele negou o crime e foi liberado. A menina passou por exame de conjunção carnal, que comprovou que ela não era mais virgem, mas ela também negou que tinha sofrido abuso do tio.

O delegado responsável pelo caso, Marcos Frank, contou que a menina foi encaminhada para atendimento especializado, ainda ano passado, quando contou para a psicóloga que sofreu abuso sexual duas vezes do tio quando tinha 11 anos.

“Ela fez o exame de conjunção carnal, que comprovou que ela não era mais virgem, o acusado negou os fatos, a vítima também negou e foi encaminhada para o atendimento psicológico. Já no atendimento, afirmou que tinha praticado relações com o tio”, relatou.

O delegado disse que continuou as investigações e em julho deste ano o suspeito foi denunciado ao Judiciário por estupro de vulnerável. O delegado afirmou que a criança saiu da comunidade onde morava com a família e passou a viver na zona urbana da cidade.

“Tinha uma investigação que ele mantinha relações sexuais com essa menina de 12 anos, foi indiciado e denunciado ao Judiciário. Após a denúncia, ele continuou a ter relações sexuais com a menor e ela engravidou. Está hoje com quatro meses”, disse.

Frank falou que o suspeito confessou informalmente que pode ser o pai da criança. O delegado falou que a menina deve continuar com o atendimento especializado e fará o teste de DNA.

“Tomamos conhecimento pelo Conselho Tutelar de que ela está grávida e foi pedida a prisão preventiva dele. Deve ser condenado por estupro de vulnerável com agravante por ser parente. Ele se encontra na Penitenciária Evaristo de Moraes”, relatou.

Acompanhamento

Ao g1, a conselheira Lays Mayra falou que a menina e a família dela foram encaminhados para atendimento no Centro Especializado de Assistência Social. Após saber do crime, o conselho determinou que a menina saísse da zona rural e passasse a morar com a avó na zona urbana.

Era na casa da avó que a menina deveria ter ficado enquanto a polícia investigava o caso. “A gente tirou ela de perto do agressor porque eram vizinhos. Fazíamos todo o acompanhamento, mas durante esse intervalo ele foi ouvido pela polícia e acreditou que não seria indiciado. Parece que a mãe levava ela para a zona rural sem o Conselho Tutelar saber. Foi nessas idas que ela engravidou dele”, lamentou a conselheira.

Lays disse que a menina foi atendida por toda rede de apoio de vítimas de estupro. O conselho acionou a medida de proteção, que encaminha a vítima para o Creas [Centro De Referência Especializado de Assistência Social]. Além da criança, a mãe e avó dela também recebiam atendimento. A mãe dela, inclusive, ficou muito abalada com a situação e passou a ser acompanhada também pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

A conselheira relembrou que a família foi orientada a não permitir a aproximação do suspeito com a vítima.

“A mãe dela também achou que não daria em nada e levou ela para a zona rural. No dia do acompanhamento, a menina estava na cidade. Toda rede fica à disposição nesses casos de estupro de vulnerável. O conselho é responsável por encaminhar para os atendimentos necessários e por tirar a vítima da situação de risco, que foi o que fizemos”, explicou.

A reportagem não conseguiu contato com a família da menina.

Mãe levou a menina para zona rural

Há duas semanas, a equipe do conselho soube da gravidez da menina. Segundo Lays, a suspeita é de que a família foi, de alguma forma, conivente com a situação, já que tinha sido orientada a não permitir que o suspeito se aproximasse da vítima.

Por isso, o Conselho Tutelar fez um relatório e pediu a responsabilização também da mãe no caso ao Ministério Público do Acre (MP-AC).

“De alguma forma a família foi conivente mesmo com todas as orientações. É como se fosse conivente com a situação, acredito que a Justiça vai tomar alguma decisão sobre isso. Se tivesse chegado ao conhecimento do Conselho Tutelar antes ela teria ido para o abrigo. A gente trabalha em cima de denúncia ou se tivéssemos chegado lá e ela tivesse para a zona rural, a gente retirava de lá, já que a primeira intervenção não deu certo, e levava para o acolhimento”, frisou.

Lays falou que a mãe da menina foi questionada sobre a continuação dos abusos quando a gravidez foi descoberta. Porém, ela negou que a filha tivesse se encontrado com o suspeito.

“Ela estava muito debilitada e decidimos não retirar ela do convívio da mãe. Quando ela soube da prisão dele, ela tentou suicídio porque já existe um ‘sentimento’. Rapidamente acionamos a equipe do Creas e a psicóloga foi na casa atender ela”, finalizou.

  • G1

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